O Mundo Aberto de Mario Kart World: Uma Oportunidade Perdida
Sabe quando a gente faz algo que acha muito legal, mostra para os outros esperando elogios, mas todos parecem indiferentes? Acho que é assim que a Nintendo deve se sentir com relação ao mundo aberto de Mario Kart World, título de lançamento do Nintendo Switch 2.
No papel, este modo tem tudo para ser fantástico. Mais do que uma lista de pistas como nos títulos anteriores da série, Mario Kart World oferece uma área gigantesca para ser explorada, centenas de desafios, outras centenas de colecionáveis, mais de 200 músicas remixadas dos jogos de Mario e de Mario Karts do passado, e a possibilidade de fazer tudo isso na companhia de até outros 3 amigos. Tudo isso claramente demanda um planejamento meticuloso e muito trabalho. Arrisco dizer que este foi o principal motivo da Nintendo se sentir justificada pelo controverso preço de 80 dólares.
Entretanto, depois de passar algumas horas explorando o vasto mundo à nossa disposição, fico triste de perceber que o sentimento que mais se destacou foi tédio.

A inspiração perdida nas missões
Mario Kart DS é um dos meus favoritos da série, e um dos principais motivos para isso é a presença de um modo de missões. Mais do que competir em corridas tradicionais, as missões adicionavam um desafio diferente, nos obrigando a realmente ter o controle sobre o nosso kart, para conseguirmos vencer o desafio em um tempo limitado, sem confiar na sorte dos itens e azar dos inimigos como acontece nas corridas normais.
Em teoria, os P-switches de Mario Kart World deveriam superar em muito a diversão que obtive nas missões do DS. Não só pela quantidade, mas também pela diversidade de locais possibilitados pelo mundo aberto. Entretanto, não é isso que ocorre. Os desafios dos P-switches são sim, em sua maioria, muito divertidos e desafiadores. O problema é chegar até eles.

Mario Kart e seu labirinto da exploração sem rumo
Enquanto que em Mario Kart DS os desafios são acessados por um menu, Mario Kart World te obriga a explorar o mundo aberto para encontrar os P-switches. Como eles não são mostrados no mapa, encontrar um dos botões azuis se torna então um resultado do acaso, que pode acontecer em um intervalo curto de tempo ou não. Pode ser que você fique um longo período rodando até encontrar algum deles. Isso também significa que quando você termina um desafio, você tem que voltar a dirigir sem rumo certo, esperando encontrar algo no caminho.
E caso você ache um desafio muito difícil e queira deixar para tentar de novo quando estiver mais acostumado com as mecânicas, não há uma maneira de retornar facilmente, e nem mesmo de marcar no mapa. No DS era simples voltar a tentar o mesmo desafio mais tarde. Porém, em World, ao sair do modo de mundo aberto os personagens andam por vontade própria pelo mundo. Ao retornar, você não volta ao mesmo lugar. Então se deixou um P-switch para trás, terá que encontrá-lo de novo.

Colecionáveis sem propósito
Como colecionáveis, o modo free roam também oferece 150 blocos “?” e 200 medalhas da princesa Peach espalhados pelo mundo. Para estes, não há tempo limitado, e o desafio consiste em basicamente encontrá-los e alcançá-los, já que a maioria fica em locais de difícil acesso. Uma recompensa para aqueles que gostam de explorar.
E o prazer de encontrar os itens, e vencer os P-switches, são toda a recompensa que você terá. Talvez este seja o ponto em que a Nintendo mais falhou ao planejar o modo de mundo aberto. Quando a recompensa por explorar um continente gigante procurando por itens de difícil acesso é apenas um sticker que é quase impossível de ver quando aplicado no seu kart, todo o esforço parece não valer a pena.

Esta falha é exacerbada pela impossibilidade de verificar, no mapa ou em uma lista, quais desafios você venceu ou quais itens coletou. Quais P-switches você venceu e onde estão os restantes? Quantos itens e desafios há em cada área? Até mesmo quantos existem no total no mundo inteiro? Nada disso é mostrado ao jogador. Até mesmo os números que citei anteriormente, da quantidade de P-switches, blocos “?” e moedas Peach, são informações encontradas na Internet, porque essa informação não está disponível no próprio jogo.

Soluções simples ignoradas
O estranho é que em teoria seria muito simples fazer a exploração do mundo aberto valer a pena. Desbloquear personagens e karts ao vencer X desafios e coletar Y itens ao invés de desbloqueá-los por moedas ou na sorte pelo item Kamek durante as corridas, seria o suficiente para termos um propósito para tanto tempo e esforço gastos explorando o mundo aberto.
Ou se isso não fosse possível, pelo menos uma espécie de radar indicando quando houver algo importante por perto, ou até mesmo uma contagem por área para sabermos se já pegamos tudo possível ou não naquela região, ajudaria bastante a diminuir a sensação de estar simplesmente dirigindo sem rumo.

Mario Kart desperdiça uma grande oportunidade
Tanta coisa poderia ser feita para melhorar o modo de mundo aberto, que é decepcionante ver a sua forma atual. Talvez a Nintendo pensasse que o público ficaria satisfeito em apenas poder dirigir por praticamente todo o continente. Que assim como Animal Crossing faz com que o jogador decida seus próprios objetivos e naquele título isso seja suficiente, aconteceria o mesmo com Mario Kart World.
A verdade é que apesar da Nintendo tentar vender o conceito de mundo aberto como sendo o foco principal, dizendo até mesmo que foi a base com que o resto do jogo foi decidido, ele passa a impressão de ser algo feito de última hora. Com todos os desbloqueáveis acontecendo nas corridas normais, e até mesmo o acesso ao modo de mundo aberto ficando meio escondido no menu principal, me faz pensar que o grosso do jogo foi decidido antes desse modo ser pensado.

A esperança é que como o jogo foi lançado há pouquíssimo tempo e é esperado que a Nintendo dê um suporte digno pelos próximos anos, que mudanças significativas sejam feitas no modo de mundo aberto. Pela Internet já circulam rumores de que o mundo esteja assim atualmente para abrigar as adições planejadas para o futuro. Mas nada disso é certeza. E se o modo de mundo aberto continuar da maneira que foi lançado, foi uma grande oportunidade perdida pela Nintendo, e não ajuda a justificar o alto preço do jogo.


