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Resta menos de um mês para o ultimato do movimento pró-consumidor Stop Killing Games.

A desenvolvedora francesa Ubisoft não já tem um certo histórico no que se trata de casos de controvérsias ou antagonismo com os seus consumidores. Em 2022 foi removido o componente online de vários de seus jogos mais antigos, como Assassin’s Creed Brotherhood ou Liberation HD. Um jogo antigo ter o seu suporte encerrado não é incomum nem inesperado, mas o que era inesperado era o anúncio original de que os jogos seriam completamente desativados e todos os usuários perderiam acesso a eles. Apenas depois de uma desastrosa campanha de relações públicas que a Ubisoft se retratou e “apenas” desligou componentes online e DLCs.

Em Março de 2024, nem dois anos depois desse fiasco, fora anunciado que o jogo de corrida de 2014, The Crew, também teria seus servidores desligados. De novo, não é supreendente que um servidor de um jogo que não via muito uso estava sendo desligado. O que pegou muita gente de surpresa, por outro lado, é que o jogo seria completamente inutilizado após essa medida. The Crew se vendia como um “MMO de carros”, mas na realidade era um jogo de corrida com um mapa aberto que permitia um máximo de 8 jogadores no mesmo lobby. Além de um componente de multiplayer competitivo, não existia nada no jogo que exigisse um enorme servidor para habilitar qualquer funcionalidade especial do jogo. Até mesmo seu componente cooperativo realisticamente funcionaria com uma simples implementação de conectividade Peer 2 Peer.

Crédito: Jakediditagain

Surgindo dessa medida extremamente anti-consumidora que Ross Scott, dono do canal Accursed Farms e responsável pela série de paródia Freeman’s Mind, começou o movimento Stop Killing Games, uma iniciativa que visava criar legislações ao redor do mundo que proibisse casos como esse acontecerem novamente. O Brasil foi um dos países considerados para abrir um processo, mas o processo legal exigia os valores aproximados da venda do jogo The Crew, o que o movimento não conseguiu obter já que a Ubisoft não tinha nenhum incentivo para declarar essa informação.

Desde então a Ubisoft argumentou em vários processos ao redor do mundo de que jogadores nunca foram donos de quaisquer jogos da empresa, em mais um clássico caso de “no futuro você não terá nada e será feliz por isso”.

Crédito: Ross Scott

Em um último update da campanha, Ross conta sobre todas as tentativas, quais ainda estão com a decisão pendente, quais falharam, e quais ainda estão para terminar. As últimas portas que ainda estão abertas são dois procedimentos, um da União Européia e outro dos Reinos Unidos. A mais forte dentre elas é a da Iniciativa dos Cidadãos da Europa, na qual se o movimento conseguir 1 milhão de assinaturas válidas uma proposta é introduzida com altíssimas chances de aprovação devido a apoio popular.

Apenas moradores desses países são eligíveis para assinar a petição.

Infelizmente, para os jogadores do resto do mundo não há muito mais o que se fazer. O movimento tinha perdido bastante gás alguns meses depois que começou. De acordo com Ross, o maior motivo para essa desaceleração foi a cobertura de Pirate Software, um ex-funcionário da Blizzard que hoje em dia tem uma empresa própria. Jason “Thor” Hall era visto como uma voz autoritária em desenvolvimento de jogos, e tinha cultivado uma reputação por ser pró-consumidor após um vídeo onde ele defendia localizar os jogos para português do Brasil e oferecer preços regionais realistas.

Apesar disso, Jason imediatamente rejeitou a proposta de Stop Killing Games e, de acordo com Ross, foi a fonte onde o maior número de pessoas ficou conhecendo o movimento. Na época, Ross não queria atrair drama entre criadores como um pilar do movimento e resolveu procurar outras oportunidades. Porém, agora ele se viu sem mais alternativas e como uma última tentativa dedicou boa parte do vídeo para esclarecer e refutar todas as críticas que Jason havia feito para a iniciativa.

Crédito: Quintheo

Com isso, Stop Killing Games viu uma ressurgimento de interesse, e outros criadores grandes como PewDiePie, Charlie/penguinz0, Mutahar/SomeOrdinaryGames e vários outros canais sobre games ou até mesmo de desenvolvedores indie demonstrando apoio ao projeto. Com essa nova onda de apoio, a petição da ECI conseguiu o seu objetivo de 1 milhão de assinaturas hoje (dia 3 de Julho de 2025) e agora procura um extra de 1,4 milhões de assinaturas como margem de segurança caso algumas dessas assinaturas sejam invalidadas quando começar o processo de apuração.

Reprodução: Stop Killing Games

A petição do Reino Unido também bateu a sua meta e terá um dia marcado para um debate no parlamento. O dia para essa audição será marcada dia 14 de Julho de 2025, no momento em que a petição expirar. Para a medida da ECI, a data limite é 31 de Julho de 2025. Depois disso só restará esperar a decisão governamental de cada país e ver como as desenvolvedoras e editoras terão que adaptar. Jogos como o próprio The Crew que já tiveram o seu acesso encerrado ou Anthem que potencialmente podem sofrer o mesmo futuro não serão afetados pois a proposta introduzida não será retroativa.

A proposta, se não sofrer enormes alterações no processo, dita que jogos precisam ter um plano de EoL (End of Life). Quando não for mais rentável para a empresa manter o suporte ao jogo, uma última atualização precisa ser feita para ou desacoplar os jogos dos seus componentes online ou oferecer uma alternativa para os consumidores serem responsáveis pela criação e manutenção dos servidores. A iniciativa não pede qualquer alteração nas leis atuais de copyright, o que significa que servidores mantidos pela comunidade não podem ser comercializados nem monetizados.