Análises,  Destaque,  Games,  Indie,  Nintendo,  PC,  Playstation,  Xbox

Rally Arcade Classics – Exatamente o que se espera

Se você entrasse numa competição de “títulos extremamente auto-descritivos” e seu oponente fosse Rally Arcade Classics, as suas chances de vitória não seriam altas. É um jogo que quase dispensa a necessidade de um review porque ele apela pra um nicho bem específico: fãs de jogos de corrida antigos. Em particular de Sega Rally Championship.

A premissa do jogo é bem essa. Um jogo que corrida que tenta se afastar da tendência de “simcade” que domina os jogos de corrida modernos. É um jogo que cria as suas próprias regras de como carros e física deve se comportar. Uma filosofia que um dia pertenceu a Ridge Racer, Burnout ou Need for Speed.

Provavelmente a maior falha nesse quesito é na escolha do seu estilo artístico. Ao invés de se dedicar completamente a uma experiência retrô e fazer os seus visuais quadradões, Rally Arcade opta por uma simples modelagem 3D que tenta ser realista dentro do possível. O que não é ruim por si só, mas é bem genérico. É um desperdício pra uma experiência que claramente busca um teor nostálgico.

Rally Arcade até conta com um filtro de “scanlines” para emular o efeito de uma CRT, mas ele só agrava o problema. Mesmo com esse filtro ligado, a textura dos terrenos e o modelo dos carros conflita com a impressão de um jogo antigo. O resultado é simplesmente um jogo que já não tem um gráfico muito bonito acaba ficando ainda mais feio.

Não entenda mal, o gráfico de Rally Arcade é perfeitamente funcional para o que faz. É aceitável e compreensível para um projeto independente. Mas é justamente essa limitação que geralmente faz com que desenvolvedores pequenos compensem com um forte estilo artístico. Nos aspectos técnicos, o jogo é bem competente com as suas texturas e iluminação. Pode não competir com um Forza ou Gran Turismo, mas faz o que precisa.

E agora, o jogo conta com um novo update trazendo uma nova animação para o seu velocímetro e a possibilidade de usar marcha manual. A opção de marcha manual é bem vinda. Apesar de ser apenas uma fração dos jogadores que se preocupam em utilizá-la, sempre é bem-vindo ter esse grau de interação a mais, especialmente para fãs de corrida.

O velocímetro, por outro lado, não é uma mudança que seja muito notável. A animação ainda é extremamente simples e não evoca aquele sentimento de jogo clássico. Muito pelo contrário, ele quebra um pouco dessa estética pelo minimalismo. É uma pena que não exista uma opção de trocar para o modelo antigo.

Outra adição foi a criação de “grupos” para a leaderboard do jogo, o que facilita a competição entre amigos. O jogo não conta com um modo multiplayer dedicado, então a competição é através de ver quem consegue o melhor tempo em determinados estágios. Então além de ver a sua posição no rank global e ver os 10 melhores tempos, agora é possível ver uma leaderboard apenas entre amigos.

Rally Arcade - 1

De resto, o jogo conta com uma enorme quantidade de conteúdo, as vezes até mesmo chegando em níveis detrimentais. Rally Arcade possui 6 modos de jogo: Tour, Rally, Licenças, Arcade, Chrono e Eventos.

Tour seria o modo “principal” do jogo. Se trata de um grupo de desafios dentro de uma certa categoria de carros. Rally é basicamente um campeonato, não é possível reiniciar corridas nesse modo. O jogador precisa acumular um tempo bom dentro de um determinado número de corridas. Esse modo é o que mais dá dinheiro para o jogador.

Rally Arcade - 2

As licenças são auto-explicativas para jogadores de Gran Turismo. É necessário completá-las antes de poder acessar corridas do mesmo calibre. O modo Arcade é um campeonato de corridas bem parecidas com a categoria de Rally, o que muda é a sua recompensa e carros elegíveis. Arcade é onde se libera versões “tunadas” do mesmo carro. Uma versão necessária para competir em qualquer evento marcado como WRC.

Chrono é um simples time trial que permite você escolher qualquer pista e qualquer carro. Não existe qualquer progressão ou recompensa nesse modo. Pode até ser considerado um “modo treino” se for necessário. Ou uma forma de correr sem qualquer estresse ou preocupação.

E por fim, Eventos são algumas corridas aleatórias sazonais. Uma forma de competir entre amigos ou globalmente com corridas “recentes”.

Combinando Tour, Rally, Licenças e Arcade, o jogo possui uma quantidade exorbitante de corridas. Facilmente 100 horas de conteúdo. Infelizmente, existe pouca motivação ou estruturação entre elas. É o tipo de jogo que se pega pra jogar “em soquinho” quando dá vontade de um jogo de corrida, e não algo que se pega para jogar até zerar.

Crédito onde merece, as pistas nunca ficam repetitivas. Existem alguns trechos que ficam na memória, mas como um todo não é comum decorar pistas inteiras. É um jogo que depende mais da sua habilidade geral controlando os carros do que decorar pistas específicas para saber onde cortar tempo.

Por outro lado, o jogo sofre com falta de variedade nos seus desafios. De uma forma geral, não seria exagero dizer que tudo que existe no jogo não Time Trials. O modo Tour é o que mais tenta trazer uma certa variedade, mas a sua implementação deixa a desejar. Além do clássico Time Trial, o jogo conta com modos Vs, Corrida e Drift.

O modo Vs e Corrida adicionam carros controlados pela CPU, mas sua estrutura é estranha. Em ambos os casos, você ganha quando termina em primeiro, mas o que é estranho é que os carros já estão na pista no momento em que é dado a largada para o jogador. Não é uma corrida no sentido tradicional, é um Time Trial com obstáculos.

Drift é realmente o único modo que muda de forma significativa o objetivo e estrutura da missão. Como de costume, essa categoria te dá pontos pelo tempo que você passa derrapando com o carro. Não é a implementação mais original ou interessante de um modo drift, mas a variedade é bem-vinda num mar de Time Trials.

Enfim… Rally Arcade Classics vale a pena?

Para quem procura um jogo de corrida descompromissado, é perfeito. Não é um jogo que se pega para completar, é mais aquele jogo que sempre fica no HD quando bate a vontade de jogar algo menos intenso. Nada nele é particularmente notável ou viciante, mas cumpre a sua proposta dentro do possível, talvez sendo um pouco repetitivo ou inconsistente as vezes.

PROS:

  • Simples e divertido;
  • Jogabilidade que foge do modelo “simcade” que domina os jogos de corrida modernos;
  • Uma enorme quantidade de conteúdo pelo preço.

CONS:

  • Um pouco repetitivo;
  • A falta de um estilo artístico realmente retro.

PLATAFORMAS:

  • PC – Steam (Plataforma analisada, chave gentilmente cedida por NETK2GAMES);
  • Nintendo Switch;
  • PlayStation 5;
  • Xbox Series.

NOTAS:

Jogabilidade:Qualidade dos controles8

Design (Dificuldade, Level, Criatividade)8
História:Enredo5

Narrativa5
Arte:Gráficos6

Direção artística5
Audio:Efeitos Sonoros7

Trilha Sonora7
PortEstabilidade10

Otimização9
NOTA FINAL:
7.0

Vroom vroom (Por favor façam mais jogos de corrida arcade, eu imploro pra parar com simcades…)