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Cipher Zero – Um puzzle minimalista

Cipher Zero é um simples jogo de quebra-cabeça desenvolvido pelo time Zapdot. Zapdot é um estúdio ativo desde 2009, mas não havia desenvolvido um jogo na escala comercial até o momento. A idéia do jogo surgiu durante a competição Ludum Dare 45.

Ludum Dare é uma competição de desenvolvedores de videogames para criar um jogo dentro de um certo tema em 3 dias ou menos. A 45.a edição aconteceu em Outubro de 2019, e nele o estúdio Zapdot criou Cipher, o qual ainda está disponível de graça na plataforma Itchio.

Cipher Zero Classic

Evoluindo em cima dessa idéia, Zapdot criou o Cipher Zero, uma versão do jogo bem mais comprida, com novas mecânicas, novas músicas, e com o estilo artístico refinado junto com uma interface e responsividade melhorado.

É um jogo extremamente simples, por bem ou por mal, oferece bem o que se vê em screenshots e material promocional. Fãs de jogos tipo The Witness vão se sentir em casa, mas quem prefere um gênero um pouco mais complicado e com respostas abertar como jogos da Zachtronics não vão ter muito o que fazer aqui.

A idéia de Cipher Zero é simples, nenhuma instrução será dada. Não existe tutoriais, vozes, textos ou qualquer outra forma de comunicação. Sua única forma de interação é acender ou apagar blocos, e a solução espera uma certa combinação de blocos ligados e/ou desligados.

Na versão Ludum Dare do jogo, apenas alguns símbolos e subversões existiam. Em Cipher Zero, existem 7 biomas diferentes, e cada um deles possui mecânicas novas e surpresas. Também foram feitas melhorias nos controles, permitindo “arrastar” para acender múltiplos blocos de uma vez, e três marcações diferentes para ajudar a organizar os pensamentos e facilitar a visualização da resposta.

Crédito onde merece, apesar da simplicidade, toda a interface é muito intuitiva de se usar. Minimalismo não é desculpa para inconveniência ou falta de funcionalidade, e esse não é um erro do jogo. Todas as ações podem ser reconfiguradas, o jogo possui uma boa gama de idiomas, as opções de customização tem tudo que é necessário.

Apesar disso, o jogo tem um pouco de problema com estabilidade. As vezes o jogo simplesmente quebra ao ligá-lo, e é preciso reiniciar para poder acessar qualquer item no menu. Também tem um sistema de controles um pouco estranho para Steam Link, apesar de aparentemente não ter problemas em Steam Decks.

Se tratando do jogo em si, seus quebra-cabeças são bem diretos. A idéia é que toda tela te apresenta uma grade com um certo número de blocos e vários símbolos indicando as regras que a solução tem que seguir.

É um modelo simples, mas que infelizmente o jogo não explora em todo o seu potencial. As primeiras telas sempre são diretas pois a intenção é ensinar o que cada “cifra” exige. Porém, muito provavelmente de forma não intencional, eles introduzem uma dinâmica que o jogo nunca explora de fato: soluções não-lineares.

Dentro das primeiras telas, existem alguns casos onde mais de uma solução é possível. E, surpreendentemente, o jogo aceita elas. Mais do que simplesmente esperar um resultado, Cipher Zero simplesmente checa se todas as “cifras” foram obedecidas. Isso abre uma enorma gama de possibilidades com quebra-cabeças grandes e complicados onde cada jogador expressa a sua forma de se resolver algo.

São raros os jogos do gênero que oferecem uma experiência desse tipo, e não é um demérito para Cipher Zero de que esse não seja o seu objetivo, mas é decepcionante que algumas telas brincam com essa ideia e nunca mais se expande.

Fora a jogabilidade, o jogo conta com um estilo artístico bem polido e agradável. Visualmente é um jogo satisfatório, fazendo o uso de minimalismo junto com cores fortes para chamar a atenção. A trilha sonora é perfeita para combinar com o motif mais relaxante do jogo, você pode conferir ela aqui. São boas músicas, mas dado o tipo de jogo, também é igualmente viável mutá-las enquanto ouve a sua playlist favorita ou qualquer podcast. A música não é essencial para a experiência do jogo.

Aliás, de uma forma geral, Cipher Zero não oferece muito de uma experiência além de um passa tempo. É algo perfeito para se jogar enquanto espera alguma outra coisa ou quando procura algo mais relaxado e descontraído. Infelizmente, nada muito além disso. Sua progressão é bem linear e seu comprometimento com minimalismo não permite muita coisa para discutir sobre. O mais frustrante é o quão próximo ele chega de realmente fazer algo diferente e mais divertido, mas logo volta para o padrão do gênero.

Cipher Zero Puzzle

No final de contas… Cipher Zero vale a pena?

É um jogo extremamente direto e honesto sobre o que oferece. É um quebra-cabeça sem nenhuma história e cujo maior diferencial é o momento “eureka” de descobrir o que um símbolo significa. As soluções nunca fazem nada interessante nem evoluem de forma significativa. Enquanto as regras mudam e realmente fazem com que o jogo nunca caia em uma mesmisse, ainda não existe variabilidade o suficiente para realmente prender a atenção. É um jogo cujo propósito é mais um passa tempo do que qualquer outra coisa mesmo.

PROS:

  • Simples e relaxante;
  • Estilo artístico interessante;
  • Perfeito para Steam Decks e similares.

CONS:

  • Alguns puzzles são extremamente contraintuitivos;
  • Nenhuma rejogabilidade ou real progressão.

PLATAFORMAS:

  • PC – Steam (Plataforma analisada, chave gentilmente cedida por Zapdot).

NOTAS:

Jogabilidade:Qualidade dos controles8

Design (Dificuldade, Level, Criatividade)7
História:Enredo5

Narrativa6
Arte:Gráficos8

Direção artística8
Audio:Efeitos Sonoros9

Trilha Sonora8
PortEstabilidade8

Otimização10
NOTA FINAL:
7.7

Cipher Zero foi um jogo difícil de se julgar objetivamente. É legalzinho como um passatempo, mas… Eu realmente, realmente gosto de jogos que deixam a solução mais em aberto. Ou se for pra ter soluções predeterminadas, que, pelo menos, use o ambiente 3D de forma significativa como Portal ou Antichamber (e não, The Witness não conta porquê o jogo é 99% painel 2D). Mas enfim… É um jogo OK. Ele existe. Não faz nada de muito errado. Nem de muito bom.