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Holy Shoot: O caos no inferno é sua única missão

Esqueça o céu, esqueça a redenção em Holy Shoot, você não é um anjo protetor, nem um guerreiro escolhido.

Aqui, você é um justiceiro celestial mergulhado nos abismos mais grotescos do inferno, armado até os dentes e encarregado de eliminar todo tipo de demônio que ousar levantar a cabeça. Como o próprio título sugere: não há espaço para piedade, só tiro, porrada e… oração.

Desenvolvido pela TaleEra Interactive, esse frenético roguelike em primeira pessoa (FPS) une combate acelerado, progressão aleatória, humor escrachado e cenários infernais recheados de referências religiosas e sátiras modernas. Desde o seu lançamento em acesso antecipado, o jogo tem chamado a atenção de fãs de títulos como Hades e Enter the Gungeon, com uma pegada única e visual marcante em cel-shading, que encaixam bem no estilo FPS.

Holy Shoot - Fig 1

Bem-vindo ao abismo cartunesco

A premissa é simples e insana: você é um dos poucos guerreiros celestiais enviados para resgatar artefatos sagrados escondidos nas profundezas do inferno. As fases são geradas proceduralmente, o que garante que cada nova descida seja diferente da anterior, inimigos variados, salas com armadilhas, altares de buffs e mini-chefes grotescos garantem um desafio constante.

Você inicia com uma arma básica e habilidades modestas. Mas, conforme avança, coleta bênçãos temporárias, artefatos profanos e poderes absurdos. O objetivo? Sobreviver, causar estrago e limpar o inferno de uma vez por todas.

Diferente de outros roguelikes com progressão lenta, aqui tudo é rápido. Você corre, atira, desvia, ativa habilidades e já está em outra sala. Os reflexos são tão importantes quanto o planejamento, e não há tempo para pensar demais.

Novas atualizações, mais blasfêmia e caos

Em sua atualização mais recente (lançada em julho de 2025), Holy Shoot recebeu o tão aguardado Modo Caos Celestial, que adiciona modificadores insanos às fases, como inimigos que explodem ao morrer, salas invertidas e tempos reduzidos de sobrevivência.

A comunidade também foi agraciada com o Modo Editor de Purgatório, onde é possível criar fases personalizadas, compartilhá-las via Steam Workshop e até incluir diálogos e objetivos próprios. Com isso, jogadores já estão criando desde campanhas narrativas até desafios speedrun com apenas uma vida.

Outra melhoria notável veio na forma de otimizações técnicas. O tempo de carregamento das fases foi reduzido drasticamente, especialmente útil em mapas personalizados, o que torna a experiência mais fluida e divertida. Além disso, o sistema de salvamento parcial permite retomar runs mais longas sem frustração.

Milagres, munição e microgerenciamento infernal

Holy Shoot - Fig 2

Apesar da pegada cartunesca, Holy Shoot é surpreendentemente complexo em suas mecânicas. Cada run exige escolhas difíceis: pegar aquele canhão que consome toda sua munição, ou manter uma metralhadora menos potente, mas mais confiável? Que bênçãos você escolhe ao encontrar um altar profano? Quantos inimigos você elimina para subir sua barra de fúria e liberar a habilidade especial divina?

Além disso, há o sistema de condenação. A cada decisão que você toma, o inferno reage. Quanto mais destruição e caos você causa, mais o jogo “condena” sua alma e libera monstros mais poderosos para te punir. É um sistema de risco e recompensa que garante tensão constante.

A ambientação também contribui com detalhes incríveis: orações murmuradas, sussurros demoníacos, cadáveres renascendo se não forem purificados, tudo isso cria uma atmosfera desconfortável, mas viciante.

Quando os demônios são aos milhares

Holy Shoot - Fig 3

Um dos pontos mais impressionantes de Holy Shoot é a quantidade absurda de inimigos que podem surgir simultaneamente. As fases avançadas jogam hordas e mais hordas sobre você, com efeitos visuais explosivos, balas por toda parte e chefes colossais que ocupam metade da tela. E o melhor: o jogo lida bem com isso.

Mesmo com dezenas de inimigos, partículas, luzes piscando e efeitos sonoros bombásticos, o motor gráfico se mantém firme, embora usuários com PCs mais modestos ainda possam sofrer engasgos nos momentos mais intensos.

O visual é um show à parte. A direção de arte aposta num estilo cel-shaded vibrante e caricato, com inimigos que parecem saídos de uma HQ sobrenatural. As animações, embora simples, são muito eficazes e estilosas, ver um inimigo explodir em luz divina ou um altar negro se abrir como se tivesse vida é sempre satisfatório.

A trilha sonora é energética, misturando riffs de guitarra com hinos distorcidos, criando uma fusão entre o sagrado e o profano que dá identidade ao jogo. Os efeitos sonoros seguem a mesma linha: exagerados, engraçados e intensos, sem perder a clareza necessária durante o caos.

Holy Shoot - Fig 4

Um jogo para os que não têm medo de morrer

Não se engane: esse jogo não é fácil. A curva de aprendizado é acentuada, e embora haja um tutorial básico, o verdadeiro domínio só vem com a prática. Muitos jogadores vão falhar nas primeiras descidas, seja por descuido, má escolha de armas ou simplesmente por azar. Mas é essa imprevisibilidade que torna o jogo viciante.

Assim como outros roguelikes, você não ganha apenas experiência dentro da run. Após cada partida, pontos coletados permitem desbloquear novas armas, personagens e melhorias passivas, o que dá uma sensação de progressão constante, mesmo após derrotas.

Apesar disso, Holy Shoot é um jogo mais indicado para jogadores que gostam de dificuldade elevada e mecânicas rápidas. A ausência de pausas, o ritmo acelerado e a ação ininterrupta podem frustrar jogadores mais casuais ou que preferem experiências narrativas.

Ainda assim, há modos alternativos em desenvolvimento: como o Modo Salvação (com desafios semanais e rankings) e o Modo Penitência (com apenas uma vida por run e dificuldade extrema).

Um jogo de simples, mas com identidade própria

Holy Shoot não tenta ser um FPS tradicional, nem um roguelike conservador. Ele é um híbrido ousado, que mistura tiroteios insanos com sátiras religiosas, combate tático com estética pop, e ainda faz você rir enquanto explode demônios.

Há momentos hilários, como ao enfrentar Mammon, o demônio do consumo, que te ataca com moedas e propagandas, ou quando um NPC te convida para confessar seus “pecados de gameplay”. Essa leveza se contrapõe ao clima intenso e cria um equilíbrio surpreendentemente agradável.

O jogo sabe quem é seu público: jogadores que amam intensidade, caos controlado, decisões difíceis e partidas onde tudo pode dar errado, e ainda assim ser divertido.

Holy Shoot - Fig 5

PROS:

  • Estratégia profunda e tática em larga escala;
  • Atualizações constantes que mantêm o jogo fresco;
  • Magias e sistemas únicos de combate e morte;
  • O Modo Endless e o Map Creator adicionam altíssima rejogabilidade;
  • Trilha sonora e ambientação imersivas.

CONTRAS:

  • Pode ser frustrante para iniciantes no gênero;
  • Performance pode sofrer em máquinas mais simples;
  • Visual utilitário pode afastar quem espera algo mais “bonito” ou “realista”, apesar da ótima direção de arte;
  • Falta de tutoriais mais explicativos em algumas partes.

Plataformas

PC – Steam (Plataforma analisada, chave gentilmente cedida por Tale Era Interactive);

NOTAS:

Jogabilidade:Qualidade dos controles10
Design (Dificuldade, Level, Criatividade)10
História:Enredo6
Narrativa6
Arte:Gráficos7
Direção artística8
Audio:Efeitos Sonoros6
Trilha Sonora8
PortEstabilidade10
Otimização10
NOTA FINAL:8,1

Holy Shoot é um jogo que foge dos padrões. Ele entrega uma experiência intensa, caótica e carismática, com tiroteios em ritmo acelerado, ambientação criativa e piadas que desafiam até mesmo os temas mais sagrados. A cada run, você sente o peso do desafio e o sabor da superação, e é justamente isso que o torna tão viciante. Se você procura um roguelike FPS com identidade própria, que não tem medo de brincar com o profano, Holy Shoot é um dos lançamentos mais promissores de 2025. Mas esteja avisado: isso aqui não é passeio no paraíso. Aqui, você vai suar, morrer e rir, tudo ao mesmo tempo.

Em um mundo onde muitos jogos seguem fórmulas, Holy Shoot prova que ainda há espaço para criatividade, coragem e muito, muito caos.