Bombun – 💣🐇🕶️
Bombun é um jogo de plataforma inspirado por títulos retrô. A comparação mais imediata é com Bomberman Hero de Nintendo 64, mas o jogo claramente toma inspiração de alguns outros títulos 3D da época da quinta e sexta geração de videogames.

Dentre Lunistice, Pseudoregalia, e agora Bombun, fica claro uma ressurgência de jogos indie de plataforma 3D com a estética de um jogo de PS1. A definição de retrô agora não mais engloba somente pixels e 2D, mas também polígonos e 3D.
Um jogo inocente com um pano de fundo complicado…
Para apresentar o jogo, costumo sempre falar um pouco do desenvolvedor e editora para contextualizar o lançamento do jogo com as intenções e desafios de desenvolvimento. Essa é a única parte em que discutir Bombun se torna difícil, pois a sua editora, Critical Bliss, é conhecida por se especializar em títulos adultos de conteúdo sexual.

É importante deixar claro, Bombun não tem nenhum tipo de conteúdo adulto. É um jogo de plataforma sem nenhum segredo nem truque, mas também é o único título desse tipo no catalogo da Critical Bliss.
O motivo dessa escolha incomum não é claramente informado, mas um chute sensato é foi por cause que seu desenvolvedor, Kekitopu, também é um artista cujo trabalho é primariamente com conteúdo adulto. Dados essas circustâncias, Bombun é um jogo “para todas as idades” que tem um certo risco em se introduzir para uma audiência realmente jovem.

Tendo dito isso, não acredito que seja um problema muito grande tendo em vista que crianças hoje em dia estão mais atunadas com Crimson Desert, Call of Duty e GTA do que qualquer jogo retrô de mascotes.
O fato de que esse tipo de jogo era considerado o ideal para um demográfico infantil é irrelevante em 2026, onde só os marmanjos dessa época tem qualquer apreço por esse tipo de jogo. Sem o peso de uma IP renomada como as que a Nintendo possui, um jogo desses passa completamente despercebido.
Só não posso dizer que esse assunto morre por aqui pois o jogo ainda faz referência a outros jogos da editora através de personagens secretos que estão escondidos em alguns telas. De uma forma resumida, é recomendado que pais tenham em mente essas conexões se Bombun for o tipo de jogo que forem comprar para seus filhos. (Algo que ainda acredito ser um caso raríssimo.)

Agora, sobre Bombun em si.
Com tudo isso esclarecido e informado, vamos falar do jogo de fato. Bombun é um jogo modesto com 25 telas espalhadas em 5 biomas diferentes. O jogo conta com 2 chefes dentro dessas 25 telas, e nas outras 23 o objetivo é simplesmente chegar até o final da tela sem nenhum colecionável ou parecido.
Cada tela conta com um checkpoint mais ou menos na metade do mapa, mas nenhuma tela é muito comprida ou muito difícil. Para quem gosta de jogar com mais calma, no estilo de um collectathon, o jogo acomoda esse estilo de jogo perfeitamente. Cristais estão espalhados por todas as telas, e eles são usados para comprar roupas/cores diferentes para a protagonista.
De resto, o único outro objetivo que o jogo oferece é um tempo “par” para cada tela. Completar todas as telas com um tempo abaixo do descrito libera mais uma roupa para ser comprada.
A jogabilidade em si é bem simples, ela brilha pela fluidez da execução e os truques de movimento. A coelhinha conta com 3 ações principais, jogar uma bomba, pular, e um mergulho reto para frente.
A ação da bomba é contextual. Segurar o botão puxa uma, e soltar a joga para frente. Manter o botão segurado carrega uma explosão maior (a lá Megaman). O pulo, em teoria, é apenas um pulo simples. MAS em combinação com a opção de segurar a bomba, é possível ter um pulo duplo ao jogar a bomba diretamente abaixo.
O mergulho é um pulo reto a frente com quase nenhum ganho de altura, e bastante alcance vertical. Excelente para corrigir um pulo mal calculado nos últimos instantes, mas o mergulho é a ação final. Não é possível pular novamente ou puxar uma bomba depois que se inicia.
Nenhum desses sistemas é impressionante em isolamento, mas a combinação deles em conjunto com o level design cria uma movimentação extremamente satisfatória de se executar. Ainda mais quando se descobre truques secretos como segurar o botão de pulo logo antes de bater no chão depois de um mergulho.
Ela até conta com mais duas ações que ainda não discuti: um botão específico para chutar uma bomba reto adiante e outro para uma queda rápida. A primeira só tem usos em certos obstáculos que impedem o uso de uma bomba normal, e o segundo tem usos ainda mais raros tendo em vista que nem ele pode cancelar o mergulho.
São duas funções que existem, mas não são centrais para o jogo. Tem usos raríssimos espalhados pela tela e perto do final são quase inúteis quando se aprende todos os truques do jogo e a movimentação do jogador começa a ficar dinâmica e fluída.
Visual, audio, etc
No geral, Bombun é um jogo bem minimalista. Não existe nenhuma cutscene dramática para contextualizar a história, não existem diálogos entre personagens nem opções muito complicadas.
Para fãs de jogos puramente arcade com um foco inabalável em gameplay, ele entrega exatamente o que você precisa. Mas não é como se outros aspectos do jogo não fossem bem feitos.

Graficamente pode não ser o tipo de impressionante que jogos fotorrealistas e detalhistas causam, mas é inegável que seus visuais são excelentes. A estética retrô não é desculpa para visuais ruins, e Bombun é a prova disso. Apesar de evocar o sentimento da era PS1, também é um jogo que não rodaria no hardware da época.
Geralmente qualquer projeto que tem como objetivo homenagear os títulos clássicos tem um pouco de dificuldade entre balancear a estética da época com os benefícios das ferramentas modernas, mas esse problema não existe aqui.
Design de áudio também não fica atrás com sons claros que ajudam a se orientar na tela e músicas energéticas que não ficam repetitivas. No que se trata de interface de usuário e apresentação, é um jogo extremamente competente.
A maior falha de Bombun
Realmente, o maior ponto negativo do jogo, é que ele te deixa com gosto de “quero mais” pela falta de modos extras ou conteúdos adicionais. Dentro de tudo do que tem, é perfeitamente possível de se completar 100% em 6 horas ou menos.
Em comparação com os outros jogos mencionados, Lunistice e Pseudoregalia duram por volta de 15h para completar tudo que tem a oferecer. É claro, tem que ser dito que ambos os jogos as vezes usam alguns artifícios meio traiçoeiros para atrasar o jogador. Mas isso não nega que Bombun parece acabar antes da hora, sem te dar tempo o suficiente para aproveitar todas as mecânicas.
Também pesa nessa conversa o preço de cada um desses jogos. Apesar de ainda estar a um preço regional razoável de R$ 33, Bombun é o mais caro dos três. E até mesmo essa situação é repleta de “poréns”.
Lunistice e Pseudoregalia tiveram a vantagem de serem desenvolvidos antes de uma crise econômica global causada por empresas de tecnologia decidirem que o que o mundo mais precisava era uma melhorar a qualidade de vídeos de Will Smith comendo espaguete.
Nada disso tem a ver com o jogo diretamente, mas infelizmente acabam sendo parte do peso de prós e cons de recomendar um jogo. No que se trata dos seus méritos artísticos, é um jogo cuja única falha é conteúdo que não explora todas as possibilidades de seus controles incrivelmente responsivel e satisfatório. Mas entre essa falha e o seu preço quando comparado a competidores… Não dá pra se ignorar completamente.
Enfim… Bombun vale a pena?
Certos gêneros estão completamente extintos quando se trata de produções AAA e AA. Na quinta geração de consoles, Naught Dog fazia Crash Bandicoot, Insomniac fazia Spyro, Namco fazia Klonoa, etc. Hoje em dia, jogos do tipo só existem como projetos de paixão vindo de desenvolvedores independentes. Só por isso, Bombun já garante um nicho desamparado. Se você é fã dos jogos citados, não é sobre Bombun ser uma boa escolha ou não. É uma das poucas escolhas que você sequer tem.
O jogo tem algumas falhas como falta de conteúdo e uma curva de dificuldade muito baixa que pode deixar alguns insatisfeitos, mas ainda tem o alicerce do que faz o gênero divertido. Para quem não tem nenhuma afeição por plataformas ou títulos retro do tipo, ainda é um jogo que vale a pena ter em mente, mas talvez compense esperar uma promoção.
PROS:
- Excelente sistema de movimentação;
- Estética retro perfeita;
- Boa direção artística;
- Traduzido para o português do Brasil, e com um bom preço regional.
CONS:
- Pouco conteúdo;
- Não muito ambicioso;
- Um pouco mais caro que competidores equivalentes.
PLATAFORMAS:
- PC – Steam (Plataforma analisada);
- Nintendo Switch;
- PlayStation 4/5;
- Xbox One /Series.
NOTAS:
| Jogabilidade: | Qualidade dos controles | 10 |
| Design (Dificuldade, Level, Criatividade) | 7 | |
| História: | Enredo | 5 |
| Narrativa | 5 | |
| Arte: | Gráficos | 9 |
| Direção artística | 10 | |
| Audio: | Efeitos Sonoros | 9 |
| Trilha Sonora | 9 | |
| Port | Estabilidade | 10 |
| Otimização | 8 | |
| NOTA FINAL: | 8,2 |
Não sei porque, mas furries são os que estão mantendo jogos de plataforma vivos. Ainda estou esperando o suposto jogo novo da Toys for Bob, mas é bom ver pessoas inspiradas pelos jogos da infância a continuar o legado dos mesmos. Quem sabe ainda rola um ressurgimento de popularidade mais para frente?


